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Datas de existência
Histórico
Manuel Carlos Sanches da Graça Dias nasceu em Lisboa, a 11 de abril de 1953, filho de Manuel Rodrigues da Graça Dias e de Maria da Conceição Morais Sanches da Graça Dias. Residiu no Campo Santana até aos sete anos de idade, altura em que, em 1960, parte com a sua família para Lourenço Marques. Nesse contexto, estabeleceu o seu primeiro contacto com a arquitetura de Pancho Guedes, regressando a Portugal em 1970.
Licencia-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, em 1977, tendo frequentado, no ano letivo de 1975/1976, o Curso Superior de Cinema do Conservatório Nacional. Como trabalho final de curso, desenvolveu o projeto “Casa G. em Famalicão”, acompanhado da reflexão teórica “Arq. Pop, Há?”, na qual explorou, através do desenho e de referências da arquitetura do quotidiano, a hipótese de uma arquitetura simultaneamente popular e erudita, evocando “os muros de Alcanena, as casas texturadas atrás, os volumes tornados abstratos e ruidosamente coloridos”.
Foi com Manuel Vicente, seu professor no 5.º ano, que reforça o seu interesse pela arquitetura, cuja abordagem reconhece como apaixonante e crítica e que “o obriga a reflectir sobre arquitectura”. Em 1978, partiu para Macau, onde estagiou no seu atelier no âmbito de um levantamento do património arquitetónico da cidade, projeto proposto por Manuel Vicente à Fundação Calouste Gulbenkian. Desse trabalho resultaria, mais tarde, a publicação, em 1991, do livro Macau Glória: a Glória do Vulgar, em coautoria com Manuel Vicente e Helena Resende.
Concluído este trabalho, regressa a Lisboa, voltando a deslocar-se a Macau em 1980, onde permaneceu até 1981. Nesse período, colaborou com Manuel Vicente em diversos projetos, dando início à sua atividade profissional naquele território, experiência determinante para a formação do seu pensamento arquitetónico.
À parte do exercício individual da arquitetura, cruza-se em Manuel Graça Dias o debate em torno da pós-modernidade e dos seus efeitos na cultura arquitetónica portuguesa, tendo emergido como “a figura central” de uma nova geração de arquitetos. Nesse período, a cidade de Chaves assumiu um papel relevante enquanto território de experimentação da sua obra, longe dos grandes centros urbanos, acolhendo projetos que testemunham a importância da cidade no contexto da renovação arquitetónica portuguesa das décadas de 1980, tendo sido o Edifício Golfinho exemplo disso.
Paralelamente, entre 1973 e 1985, exerceu funções como professor de Desenho, Educação Visual e Técnicas de Expressão e Práticas de Representação, no Ensino Secundário e no Magistério Primário.
Em 1990, fundou, com Egas José Vieira, o atelier Contemporânea, responsável por uma vasta obra construída em Portugal e no estrangeiro, destacando-se projetos como o Teatro Municipal de Almada, o Museu da Oliveira e do Azeite em Mirandela, a Escola de Música, Artes e Ofícios de Chaves e, mais recentemente, a requalificação do Teatro Lu.Ca em Lisboa. Em 1992, estendem a sua parceria com a criação da empresa Mediterrânea, Artigos de Design, Lda. Desenvolveu igualmente trabalho na área da cenografia, que designava como “arquiteturas efémeras”.
Desenvolveu uma intensa atividade académica, tendo sido assistente na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (1985-1996), onde lecionou nos cursos de Arquitetura e Arquitetura de Interiores. Posteriormente, integrou a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, como professor auxiliar (1997-2015), onde se doutorou em 2009 com a tese Depois da cidade viária, tornando-se Professor Associado. Lecionou ainda na Universidade Autónoma de Lisboa (desde 1998), onde dirigiu o Departamento de Arquitetura entre 2000 e 2004.
A sua obra foi amplamente reconhecida, tendo recebido, em 1983, Menção Honrosa Valmor pelo projeto de ampliação e remodelação de um edifício na Graça, em Lisboa, em associação com António Marques Miguel. Obteve o 1.º Prémio no concurso por convite para o Projeto Global de Consolidação das Ruínas de São Paulo, em Macau, bem como o 1.º lugar no concurso para o Pavilhão de Portugal na Expo’92 (Sevilha, 1989) e para a nova sede da A.A.P./Banhos de São Paulo (atual Ordem dos Arquitetos), em Lisboa (1991), ambos em associação com Egas José Vieira. Em 1999, recebeu o Prémio AICA/Ministério da Cultura pelo conjunto da sua obra construída, tendo sido nomeado para prémios internacionais como o Prémio Mies van der Rohe e o Prémio Aga Khan.
Paralelamente à prática de projeto, desenvolveu atividade crítica, editorial e de divulgação, escrevendo regularmente sobre arquitetura desde o final da década de 1970 e colaborando com diversos meios de comunicação, incluindo imprensa, rádio e televisão. Foi autor e apresentador, com Isabel Colaço, do programa quinzenal “Magazine de Arquitetura e Decoração/Ver Artes”, na TV2, produções Zebra (1992-1996), onde entrevistou arquitetos, apresentou obras e promoveu o debate sobre arquitetura e cidade. Foi colaborador da rádio TSF (1995-1999) e escreveu com regularidade para a revista Arquitetura Portuguesa e para o Jornal Arquitetos, bem como para a imprensa generalista, nomeadamente o Jornal de letras, artes e ideias (1985), O Independente (1988/1989) e o Expresso, no âmbito da crítica de arquitetura (2001/2006).
Exerceu funções como comissário consultivo da exposição Depois do modernismo/uma polémica dos anos 80 (1983) e comissário adjunto da exposição itinerante Tendências da arquitetura portuguesa (1986). Foi diretor do Jornal Arquitectos (2009–2012) e integrou a direção da Ordem dos Arquitetos (2000–2004). Foi comissário da representação portuguesa à VIII Bienal de Arquitetura de São Paulo (2009) e, com Ana Vaz Milheiro, da exposição Sul África/Brasil (Trienal de Lisboa 2010). Presidiu à Secção Portuguesa da AICA (2008–2012).
Foi autor de uma vasta obra bibliográfica dedicada à arquitetura e à cidade, incluindo diversos títulos publicados entre 1991 e 2015. Entre os títulos mais relevantes destacam-se Macau Glória: A glória do vulgar (com Manuel Vicente e Helena Rezende, 1991); Vida Moderna (1992); O Homem que Gostava de Cidades (2001) e Manual das cidades (2006), bem como diversas publicações em coautoria com Egas José Vieira dedicadas à divulgação da sua obra arquitetónica.
A sua obra fazia-se da confluência e resolução da tradição clássica erudita portuguesa, a arquitetura popular e o modernismo, tendo sido definida por Paulo Varela Gomes como uma “arquitetura de sedução”.
Em 2006, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Faleceu em Lisboa, a 24 de março de 2019.