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identificadores para entidades coletivas
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Datas de existência
Histórico
Francisco José Barata Fernandes (Porto, 12 de novembro de 1950 — Porto, 16 de agosto de 2018) foi um arquiteto e professor catedrático português, figura de relevo da denominada Escola do Porto.
Percurso Académico e Institucional
Em 1975, diplomou-se em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP). Iniciou a sua atividade docente na mesma instituição em 1979, onde lecionou até 1984. A partir de 1985, transitou para a recém-criada Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Ao longo da sua carreira académica, lecionou diversas disciplinas ligadas às áreas do planeamento, da teoria e do projeto, além de integrar programas de intercâmbio e coordenar seminários nacionais e internacionais.
• Investigação em Itália (1984–1985): Desenvolveu um trabalho de investigação em coautoria com a arquiteta Madalena Pinto da Silva sobre a Política de desenvolvimento urbano e recuperação de centros antigos, sob a orientação da Faculdade de Arquitetura do Politécnico de Milão.
• Doutoramento (1997): Concluiu o Doutoramento em Arquitetura pela FAUP. Em 1999, publicou a sua tese: Transformação e Permanência na Habitação Portuense - As Formas da Casa na Forma da Cidade (FAUP Publicações).
• Cargos de Gestão na FAUP: Desempenhou funções de liderança institucional na faculdade como Presidente do Conselho Diretivo (2006–2010), Presidente do Conselho Científico (2014–2018) e coordenador do curso de Doutoramento em Arquitetura na especialidade de Património Arquitetónico.
Atividade Profissional e Obra
Primeiras Parcerias (1971–1986)
Entre 1971 e 1978, colaborou com os arquitetos Alfredo Matos Ferreira, Bernardo Ferrão e Fernando Távora, este último uma figura fulcral na sua formação e estruturação conceptual. Posteriormente, estabeleceu uma parceria formal com Bernardo Ferrão (1978–1986), focada no desenvolvimento de Planos de Pormenor (PP), Planos Gerais de Urbanização (PGU), loteamentos e projetos de habitação unifamiliar e coletiva no Norte de Portugal. Deste período destacam-se:
• Casa na Madalena, Vila Nova de Gaia (1980–1982)
• Recuperação de solar urbano para Casa da Cultura, Esposende (1980–1984)
• Recuperação de casa agrícola, Seixas (1984)
Coautoria com Manuel Fernandes de Sá (A partir de 1990)
Em parceria com o arquiteto Manuel Fernandes de Sá, desenvolveu intervenções urbanas de grande escala, tais como:
• Cooperativa de Habitação de Massarelos (95 habitações), Porto (1990–1995) – Distinguida com o Prémio INH 1996 (Instituto Nacional de Habitação).
• Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE), Lisboa (1992–1995).
• Plano de Urbanização da Marginal do Douro, Porto (1995).
• 1.º Prémio no concurso para a conversão de um quarteirão em hotel de luxo na Ribeira, Porto (1996).
Projetos Individuais e Intervenções Urbanas (A partir de 1987)
A partir de 1987, iniciou a sua prática individual, assinando projetos emblemáticos de reabilitação patrimonial e desenho de espaço público:
• Recuperação do Castelo de Santa Maria da Feira: 1.ª fase (1990) e 2.ª fase (1999–2001).
• Edifício de comércio e escritórios, Vila das Aves (1991).
• Recuperação de Quintas: Quinta do Ribeiro, Santo Tirso (1994) e Quinta da Carreira, Vizela (1995–2002).
• Gabinete de arquitetura, Porto (1996).
• Praça e edifício de habitação e comércio do Bom Nome, Vila das Aves (1998).
• Porto 2001 (Capital Europeia da Cultura): Integração nas equipas de requalificação do espaço público da Área Oeste A (Praça da Cadeia e Largo do Olival, 2000–2001, coord. Camilo Cortesão e Mercês Vieira) e da Área Oeste B (Rua do Almada e Praça Filipa de Lencastre, 2000–2001, coord. Virgínio Moutinho).
• Plano de Pormenor de S. Paio / Canidelo, Vila Nova de Gaia (2002) – Integrado no Programa Polis.
Reconhecimento Recente
Em 2014, o seu mérito na área da reabilitação urbana foi publicamente consagrado ao ser distinguido com o prestigiado Prémio João de Almada (atribuído em conjunto com os arquitetos Nuno Valentim e José Luís Gomes). O prémio distinguiu o exemplar projeto de reabilitação do edifício residencial de 1928, localizado na Rua Alexandre Braga, no Porto, originalmente desenhado pelo arquiteto José Marques da Silva.
Francisco Barata Fernandes faleceu na sua cidade natal a 16 de agosto de 2018, deixando um vasto legado ligado à salvaguarda do património arquitetónico e ao ensino da arquitetura em Portugal.