Zona de identificação
tipo de entidade
Forma autorizada do nome
Forma(s) paralela(s) de nome
Forma normalizada do nome de acordo com outras regras
Outra(s) forma(s) de nome
identificadores para entidades coletivas
área de descrição
Datas de existência
Histórico
Nuno Rodrigo Martins Portas nasceu em Vila Viçosa, a 23 de setembro de 1934, e faleceu em Lisboa, a 27 de julho de 2025. Foi arquiteto, urbanista, professor e investigador, sendo reconhecido como uma das figuras centrais da cultura arquitetónica e urbanística portuguesa da segunda metade do século XX.
Frequentou inicialmente a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, concluindo o curso na Escola Superior de Belas Artes do Porto onde obteve o diploma de arquiteto, em 1959, com a dissertação “A Habitação Social – Proposta para a Metodologia da sua Arquitectura”.
Ligado à crítica cinematográfica, foi cofundador do Cineclube Católico, juntamente com João Bénard da Costa, Pedro Tamen e Nuno Bragança, tendo colaborado como crítico de cinema no Diário de Lisboa e no Diário Ilustrado.
Iniciou a sua atividade profissional no atelier do arquiteto Nuno Teotónio Pereira, onde colaborou entre 1957 e 1974, participando em alguns dos mais significativos projetos da arquitetura portuguesa do século XX, entre os quais a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa (1962-1976), distinguida com o Prémio Valmor em 1975, os conjuntos habitacionais dos Olivais (1957-1968) e o Plano de Urbanização do Restelo (1969-1975).
Em paralelo, desenvolveu uma intensa atividade crítica e editorial, integrando, a partir de 1958, a redação da revista Arquitectura, da qual viria a ser diretor. O seu trabalho de crítica foi distinguido com o Prémio Gulbenkian de Crítica de Arte, em 1963.
Entre 1962 e 1974 foi investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), onde coordenou o Núcleo de Pesquisa de Arquitetura, Habitação e Urbanismo, desenvolvendo investigação pioneira nas áreas da habitação coletiva e das funções e exigências da habitação.
Após o 25 de Abril de 1974 assumiu o cargo de Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo nos primeiros Governos Provisórios. Nesse contexto criou o Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), promovendo modelos participativos de intervenção urbana e políticas públicas de habitação que marcaram profundamente o debate urbanístico em Portugal.
A partir da década de 1980, dedicou-se sobretudo ao urbanismo e ao planeamento territorial, coordenando e assessorando numerosos projetos e estudos urbanos em Portugal e no estrangeiro. Em Portugal destacou-se pela consultoria aos planos do Vale do Ave, pela atividade como vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia (1990), pela coordenação do Plano do Campus da Universidade de Aveiro (1999-2000) e pela participação no planeamento da Expo’98 (1993-1994) e da área de Chelas (1995-1998), em Lisboa. Internacionalmente, foi coordenador do Planeamento Intermunicipal de Madrid (1980-1983), consultor do Plano Estratégico Metropolitano de Barcelona (1991-1992) e colaborou em projetos urbanos para Santiago de Compostela, Rio de Janeiro, Cabo Verde e Roma. Foi ainda consultor das Nações Unidas e da União Europeia nas áreas do urbanismo e da investigação científica.
A sua carreira académica teve um papel determinante no ensino da arquitetura em Portugal. Lecionou na ESBAL entre 1965 e 1971 e, a partir de 1983, integrou o curso de Arquitetura da ESBAP, participando ativamente na criação da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), onde assumiu funções como Professor Catedrático desde 1989. Presidiu ao Conselho Científico da FAUP e fundou o Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo, bem como o Mestrado em Planeamento e Projeto do Ambiente Urbano. Foi professor convidado em diversas universidades europeias e sul-americanas.
Autor de uma vasta obra publicada sobre arquitetura, habitação, cidade e urbanismo contemporâneo, deixou contributos fundamentais para a reflexão sobre o espaço urbano e as políticas de habitação. Entre as suas obras mais influentes destacam-se “A Arquitectura para Hoje” (1964) e “A Cidade como Arquitectura” (1969).
Ao longo da sua carreira recebeu numerosas distinções nacionais e internacionais, entre as quais o Prémio Sir Patrick Abercrombie de Urbanismo da União Internacional dos Arquitetos, atribuído em 2005, e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.